segunda-feira, 19 de março de 2018

A “Lei da Frontalidade”: entendendo as pinturas egípcias

Quando se pensa na antiguidade egípcia é comum lembrar de imagens tais quais as pirâmides, múmias e claro, das pinturas parietais. Para quem não está acostumado, as pinturas egípcias poderão despertar um certo estranhamento e até desconforto, porém, está reservado a elas igualmente muita admiração.
Embora popularizada na atualidade graças a cultura popular — principalmente devido a Egiptomania —, é um grande fato que a arte egípcia é composta, em sua maioria esmagadora, de artistas anônimos (BRANCAGLION Jr., 2001). Não conhecemos muitos nomes responsáveis pelas belas peças que hoje encontram-se em museus ao redor do mundo e os poucos que temos ciência não foram por assinar suas obras (o que não era uma prática), mas porque seus nomes foram descobertos acidentalmente em seus ateliês, durante escavações arqueológicas.
As pinturas parietais — tema desse post — possuíram um importante papel para essa civilização que se desenvolveu às margens do Nilo. Elas foram utilizadas como uma forma de comunicação e até uma maneira de auxiliar ou garantir que os falecidos alcançassem seus desejos ou sonhos no além-vida.
Exemplo de ilustração egípcia. Imagem disponível em EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009. p. 94.
Embora pareça bastante complexa, a pintura egípcia costumava seguir alguns padrões como, por exemplo, a cor de pele poder variar de acordo com o gênero da pessoa (homens com um tom avermelhado, quase cobre e mulheres com um tom amarelado) e os indivíduos de classes mais altas ou considerados como o mais importante na cena representados maiores (HAGEN et al, 1999; GOMBRICH, 2008).
Outro padrão tem a ver com a tradição de registrar uma pessoa ou divindade de lado, em uma postura bastante rígida. Na arqueologia egípcia não existe um termo especifico para este tipo de retrato, mas nos estudos de arte convencionou-se a chamar esse tipo de representação como “Lei da Frontalidade”. Nela os personagens são mostrados com a cabeça, os braços e pernas de perfil (1), mas, com os olhos, os ombros e tronco de frente (2), criando assim uma combinação de a visão frontal e a lateral (CASSON, 1983; HAGEN et al, 1999).
Imagem disponível em CASSON, Lionel. O Antigo Egito. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983.
Os motivos para esse tipo de reprodução são desconhecidos. Alguns já sugeriram que poderia ser uma ausência de perícia dos antigos artistas, outros que seria uma tentativa de passar uma mensagem de onipotência e existe os que a defendem como possuidora de um arranjo excepcional (CASSON, 1983; BRANCAGLION Jr., 2001; GOMBRICH, 2008). Me utilizo aqui das palavras de Gombrich:
Vale a pena pegar um lápis e tentar reproduzir um desses desenhos egípcios “primitivos”. Nossas tentativas vão sempre parecer inábeis, assimétricas e deformadas. Pelo menos, as minhas parecem. Pois o sentido egípcio de ordem em todos os detalhes é tão poderoso que qualquer variação, por mínima que seja, parece desorganizar inteiramente o conjunto (GOMBRICH, 2008, p. 64).
Como eram feitas:
O trabalho era efetuado por um grupo de desenhistas (sesh[1], em egípcio antigo) ou os “desenhistas escultores” (sesh kedut) e cada um ficava responsável em efetuar uma determinada tarefa (STROUHAL, 2007):
Ilustração: Lloyd K. Townsend.
(1) A parede era nivelada e usualmente coberta por uma camada de estuque, que era polida (STROUHAL, 2007);
(2) Então um quadriculado era pintado, para dar apoio ao futuro desenho. Essa técnica permitia que o desenhista se guiasse e pudesse transmitir a ilustração, que provavelmente já estava feita em uma superfície menor (um pedaço de pedra ou uma madeira coberta de estuque), para a parede (HAGEN et al, 1999; STROUHAL, 2007; GOMBRICH, 2008);
(3) Alguns remanescentes arqueológicos nos sugerem que um rabisco era feito primeiro e depois era corrigido por um desenhista mais experiente (STROUHAL, 2007);
(4) As cores eram obtidas de minerais tais como ocre ou sulfato de arsênico (para o amarelo-claro), malaquita e cal (para verde), carvão (para preto), óxido de ferro ou hematita (para vermelho), silicato de cobre ou sais de cobalto (para azul); esses materiais eram misturados com clara de ovo ou cera de abelha para criar uma consistência pastosa (CASSON, 1983; STROUHAL, 2007).
Parede da tumba do faraó Horemheb. Foto: Kodansha Ltd. Imagem disponível em STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007. p. 164.
Como em qualquer sociedade, naturalmente o Egito Antigo possuía as suas exceções. Nem todas as mulheres eram representadas mais claras que os homens, assim como nem todas as imagens eram representadas de perfil. Ademais, os estilos de pinturas variaram com o tempo. Em dados períodos será possível encontrar representações mais naturalistas, em outros com um caráter mais relaxado, sem a rigidez que o cânone artístico comumente empregava. É necessário que os estudantes estejam cientes da variedade da arte egípcia e seus autores, apesar do que a tradição artística pode sugerir, a exemplo da própria “Lei da Frontalidade”.
Musicistas e dançarinas trabalhando em uma festa. Autor da foto: desconhecido.

A arte egípcia

A arte egípcia por um lado, é marcada pela escrita avançada e pela religião. Ela foi capaz de determinar o modo de vida, as relações sociais e hierarquias, direcionando todas as formas de representação artística daquele povo.
Eles eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses e esses poderiam mudar o curso de vida de cada um. Acreditavam, também, na vida após a morte. Baseados nisso, vemos túmulos, estátuas e vasos que eram deixados com os mortos. Toda a arquitetura egípcia, como exemplo, as pirâmides, eram edificadas sob contruções mortuárias, as chamadas tumbas. Elas eram idênticas às casas onde os faraós habitavam em vida. As pessoas de classe social mais importante eram sepultadas nas mastabas, que deram origem às grandes pirâmides.
A classe social era dividida entre sacerdotes e faraós, fazendo parte da classe alta, e de comerciantes, artesãos e camponeses, e mais abaixo ainda da camada estavam os escravos. Esse império se iniciou com Djoser o Antigo Império (3200-2200 a.C.) seu contribuição foi transformar o Baixo Egito no centro do reino. O império é dividido em:
  • Antigo Império - 3200 a 2300 a. C.
  • Médio Império - 2000 a 1580 a. C. - as convenções e o conservadorismo mostravam esculturas e retratos que representavam a aparência ideal e não a real das pessoas.
  • Novo Império - 1580 a 525 a. C.
Destaques que marcaram a imponência e poder do faraó:
  • A pirâmide de Djoser, na região de Sacará, construída pelo arquiteto Imotep;
  • Pirâmides do deserto de Gizé: Quéops, Quéfren e Miquerinos, sendo a maior a primeira.
  • Esfinge do Egito Antigo: uma representação do faraó Quéfren, a mais conhecida.

Pintura Egípcia

Pintura EgípciaA arte, no período era padronizada, pois seguia critérios religiosos; assim, não se fazia uso da criatividade ou da imaginação. As pinturas eram anônimas e não registravam o estilo do artista, mas o faraó. A primeira regra a ser seguida era:
A lei da frontalidade: era obrigatória e consistia na representação de pessoas com o tronco de frente, os pés, a cabeça e as pernas ficavam de perfil. Portanto, não era uma arte naturalista. Na escultura, apesar das convenções, as estátuas eram representadas de acordo com os traços particulares da pessoa, principalmente a posição que ocupava na sociedade, o seu trabalho e traços raciais.
Depois, no Médio Império, o Egito apresentava suas esculturas e retratos com uma aparência ideal e não real, como, por exemplo, os reis. Já no Novo Império, o ápice do crescimento egípcio, é marcado pela reconstrução de templos inacabados.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Arte é comunicação


As pessoas comunicam-se com seus semelhantes de várias formas. Uma delas é a linguagem Artística, que é tão antiga quanto o homem.
Na Pré-História, há mais ou menos quarenta mil anos, quando o homem pintava cenas de caça e de guerra, símbolos de fecundidade, de vida e de morte, através dos traços ou manchas esquemáticas, já estava sugerindo o primeiro sistema de comunicação. Você percebeu como a Arte é antiga?
As pinturas que os homens pré-históricos faziam nas paredes das cavernas chamavam-se Pintura Rupestre que quer dizer gravado ou traçado na rocha.

Você observou como as duas imagens acima, o primeiro feito na Europa, há cerca de 40.000 anos, e o segundo feito no Brasil há mais ou menos 10.000 anos, parecem tão semelhante? Pelo seu traçado e estilo percebemos como era a vida dos nossos antepassados. Os homens desse período usavam técnicas rudimentares e até mesmo as próprias mãos como pincel para executar o trabalho. Retiravam a tinta do barro ou das folhas e frutas da natureza. Veja como o homem buscava soluções inteligentes, dentro de suas condições, para tentar se comunicar. Percebeu com a Arte é importante, como registro histórico, para conhecermos a História da Humanidade?

Mais sobre Arte rupestre:

Vídeo: Arte Pré-Histórica

Vídeo: Arte Rupestre - Piauí - Brasil


            Vídeo: Como se faz Arte Rupestre, passo a passo


      Vídeo: Fazendo um pintura rupestre

Desde a Pré-História o homem mostrava sua necessidade de comunicar-se através de outras linguagens. Antes mesmo de falar ou escrever, ele dançava e desenhava; por isso, podemos afirmar que a primeira linguagem com a qual o homem se comunicou foi a Linguagem Artística.

Você já observou, que a todo instante, nossa atenção é atraída por alguma imagem?










 São as mais modernas e contemporâneas formas artísticas de comunicação visual. Servimo-nos de vários recursos para passar a nossa mensagem e tudo o que foi citado faz parte da arte de Comunicação – Expressão.
Buscando mostrar o que via, pensava, sentia, conhecia e imaginava o artista, desde a Antiguidade, comunicava-se através das suas obras, das mais variadas formas. E nos vários momentos históricos e nos fatos importantes ocorridos no mundo, o artista inovava a comunicação visual, dando-lhe características, tendências e corpo de obra de arte.








Mas o importante é que você perceba que cada artista, na sua época e da sua maneira, criou imagens cheias de significado e simbolismo. Como diz Ernest Fischer: “O homem é por princípio um mágico, e como mágico transforma o mundo”.

Usando a madeira, o osso, o barro, a pedra ou o metal, o homem faz estátuas e esculturas, modela formas, cria imagens, como num passe de mágica. Com o lápis e pincel, ele desenha e pinta imagens que sua mente criativa elabora e sua pessoa vive. Ele transforma em obras a comunicação do seu pensamento elaborado e reproduzido, não somente pela palavra ou pela escrita, mas pela forma com a qual ele melhor se identifica e o torna feliz, que é a obra de arte, ou seja, a sua Composição Visual.

Valendo 5 pontos

Então agora reflitam sobre o texto acima, e escrevam com suas palavras (mínimo 4 linhas) como você percebe a arte ao seu redor. Postem nos comentários e não esqueçam de colocar nome e de qual sala. 
Postar até 08 de março de 2018.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Para que estudar Artes?


A arte é uma forma do ser humano se expressar e a comunicação é uma atividade essencial para a vida em sociedade. O mundo que vivemos é cheio de informações visuais, sonoras e musicais. Esse mundo cheio de signos e símbolos necessitam ser interpretados, desde o significado de imagens, de cores, de letras, de sons, de vídeos. Por exemplo: um semáforo contém cores e cada uma delas tem um significado e entende-las é fundamental para atravessar a rua e até mesmo conduzir veículos. O cartaz ou letreiro que você vê na rua tem imagens e símbolos que transmitem informações ou orientações. A arte carrega valores culturais e estéticos e estes são relevantes na construção do seu visual e até mesmo na sua identidade, seja o momento que você escolhe uma roupa para se vestir, no corte de seu cabelo, nos adereços, maquiagem e tatuagens que possa usar.



Conhecer a história das civilizações e das artes assim como a cultura de diversos povos ajuda a compreender a pluralidade e respeitar as diferenças. Assim como a relação existente com a história, as Artes mantêm diálogo com várias áreas do conhecimento: ao estudar as cores, aprendemos um pouco sobre ciência, de como enxergamos as cores e como podemos produzir pigmentos para pintar. Ao construir formas tridimensionais compreendemos o espaço geométrico e a matemática.
A arte é uma forma de expressão e comunicação, podemos interpretá-la, fazer uma leitura visual de imagens (sua época, seu contexto, sua intenção), sentir a emoção e entender a mensagem de uma música, compreender gestos de dançarinos ou de atores. 
As mensagens emitidas por meio das artes levam a reflexão e a crítica fazendo os espectadores pensarem, com isso também contribui para o crescimento intelectual. Nos vestibulares e concursos públicos, as provas contém questões que abordam interpretações de imagens, obras de artes, de charges ou quadrinhos, de músicas, de poemas e até mesmo questões históricas relacionadas a movimentos artísticos e culturais. Neste caso, entender um pouco mais sobre as artes ajuda a ter sucesso na aprovação.

Ao escrever uma pessoa realiza desenhos no papel. O exercício de desenhar desenvolve a coordenação motora fina, responsável pela capacidade que nós temos de usar de forma precisa e eficiente os pequenos músculos do corpo aprimorando as habilidades para algumas tarefas como escrever, recortar, costurar, digitar, tocar instrumentos musicais, realizar trabalhos mais precisos e delicados. Além disso, o domínio da coordenação corporal através de exercícios também aprimora habilidades corporais como práticas esportivas e a dança. O exercício do desenho também estimula a criatividade e a imaginação. Criatividade é uma das qualidades mais requisitadas no mercado de trabalho. Uma pessoa criativa tende a se destacar pela suas idéias inovadoras ou pela capacidade de impressionar as pessoas.

A indústria criativa movimenta a economia mundial, existem atualmente vários setores que dependem de profissionais criativos para o desenvolvimento e elaboração de produtos. Lembra do filme que você assistiu, pois bem, quando terminou ele exibiu por alguns minutos os nomes de diversas pessoas que de forma direta ou indireta estavam envolvidas com aquela produção. Assim é o mercado criativo, seja ele cultural (música, shows, concertos, rádio, televisão, cinema, livros, museus), técnico (produção gráfica, arquitetura, design, moda) ou tecnológico (computação, internet, jogos, aplicativos) a criatividade é uma das qualidades mais importantes e poderosas do mundo atual.

As artes transformam o mundo em que vivemos, produz quase tudo que nos cerca, empregam pessoas, constrói identidades culturais, transmite informações, fazem as pessoas pensarem, estimulam a imaginação e a criatividade, divertem e sensibilizam as pessoas.